sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

The fool on the ballon house

"Head in a cloud, the man of a thousand voices talking perfectly loud"

Estar doente e em casa é uma seca. Sobre todas as chatices que isso gera descarrego num outro post, devidamente colocado no lugar das fúrias e angústias com que ocasionalmente a vida nos irrita. Hoje obedeço à Joana demasiado optimista que existe em mim e falo da parte menos má de se estar doente. Termos tempo, paciência e desculpa para fazer coisas que numa situação normal seriam completa, e muito acertadamente, descabidas.

Imbuída desse estado de espírito que é a gripe, e talvez num estado febril daqueles em que o nosso juízo se perde em conjunturas e considerações sobre o que aconteceria se um peixe de aquário fosse mordido por um lobisomem (créditos ao senhor escritor do João Pestana britânico), comprei uma caderneta de cromos. Do filme Up! da Disney. E por mais que tente explicar este desvario com menções ao estado gripal do meu ser, creio que a explicação mais simples é uma pura influência da rúbrica da Rádio Comercial, precisamente, a Caderneta de Cromos.

Ora aqueles senhores, que eu atentamente tenho ouvido nestes últimos tempos, falam tanto destas coisas do passado que não é de espantar que a minha mente se encontrasse predisposta a estas nostalgias. E assim foi. Estava eu na estação local de correios aqui da terra, que é ao mesmo tempo uma mini-livraria, quando reparei nas carteirinhas de cromos. Havia de diversas colecções, Toy Story, Up!, um filme novo da Disney (o politicamente correcto), e claro, as típicas cadernetas de cromos da bola (ah ah). Decidi-me pela do Up! Aquele velhote rabugento e o puto escuteiro têm semelhanças extraordinárias com pessoas da minha vida! Lá comprei o livrinho e, loucura, 5 carteirinhas!

Confesso, sem vergonha, que passei uma belíssima e divertida meia hora a colar os cromos todos. E começo já a sentir-me uma ansiosa dona de uma caderneta, com tudo o que isso implica. Nervos tomam conta da ponta dos dedos quando colo os cromos especiais, aqueles que fazem parte de mosaicos. Expectativa ao abrir as carteirinhas. Desilusão ao reparar que é um cromo repetido. E muita alegria quando me saiu um cromo todo xpto, brilhante e com uma barrinha verde! Cintila!



Vá, roam-se de inveja de não estarem doentes e em casa a colar cromos!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dr Robert and Mr Hyde

He does everything he can, Dr Robert

Este Robert de que vou falar, claramente, não é o Dr Robert do imaginário dos Beatles. Não nos dá bebidas especiais e não ajuda toda a gente que precisa. Aliás, este Robert é que precisa da ajuda de alguém. Porque aquela cara de quem está a ter um enorme ataque de gases não engana ninguém.

Claro que com esta introdução me estou a referir ao Robert Pattinson, o novo galã vampiresco. Mas sobre as inúmeras irritações que todo a saga dos vampiros me provocam disserto noutro lugar, o lado lunar deste blog.

Aqui fica só o relato da experiência que tive recentemente com o Robert em questão. Ao entrar numa loja em St Albans, deparei-me com estas cartas, ou postais, ou cartões, o que quer que seja que os tipos da empresa de marketing inventaram. Basicamente são cartões com fotos do novo filme, Lua Nova. E claro, tive de comprar! Só para ver de que se tratava!

E cá está o resultado. Uns cartões patéticos, com umas descrições quaisquer sobre o filme (acho eu, mas as minhas amigas peritas em vampiros certamente me elucidarão deste pormenor).

Com isto quero dizer que estas semanas, com a estreia do filme, já vi a cara do Robert e da tipa mais vezes do que a minha própria cara! Carinhosamente e sem qualquer maldade, quero apenas dizer que pensei imenso nas minhas amigas que (tão tristemente) se tornaram fãs dedicadas desta nova saga literária (até dói usar a palavra “literária” aqui).

Para vocês, cá ficam as fotos dos cartões mágicos, Jannika, Cookie a Marilene! E não estou a gozar com vocês, nada disso! Apenas com os vossos gostos! ;) Têm permissão oficial para gozar comigo. E sim, eu sei, há muito por onde pegar...



Yeap, I am pretty freaked out!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Blue Jay way

Sitting here in Blue Jay Way...


Não vivo na Blue Jay Way, como o George Harrison, e da minha janela não vejo a Sunset Boulevard, mas ainda assim, é a minha casa e, neste momento, o melhor sítio do meu mundo (um mundo pequeno que se espraia de Hatfield até aos arredores de St ALbans).

Comecemos pela morada, que tem o seu quê de peculiar. Ora bem, vivo num prédio que tem nome! Chama-se Cheltenham Court. E o meu bairro, se assim se pode chamar, tem também ele um nome peculiar. Dexter Close. Sim, vivo num sítio com nome de assassino! Este tema no entanto tem muito que se lhe diga, pois falar do Dexter (o da série, não o meu bairro) leva a horas intermináveis de discussões éticas, filosóficas e, se bem regadas com gelado de chocolate, a um culminar que envolve canções da Disney... Uma longa história.

Explicada a morada, aqui ficam algumas fotos.



Esta é a vista da minha sala. O prédio onde vivo é bastante semelhante a este. O típico alojamento inglês, muitos tijolos e tal...




Algumas fotos da sala. Pode não parecer, mas é bastante espaçosa! Dois sofás catitas, um oficialmente pertencente à glória do império português (ou seja, um é meu) e o outro é, digamos, território inimigo (do Pierre). Se repararem em cima de um dos móveis estão duas caixas de puzzles. Foi esta a generosa oferta das pessoas que dantes aqui moravam. Em vez de deixarem a televisão, como tinha sido dito pelo tipo da agência, deixaram dois puzzles feiosos e velhos... Oh well, ao menos deixaram também o DVD do filme Deep Blue Sea...


E eis o meu quarto... Desarrumado, outra coisa não seria de esperar... Malas cor-de-rosa espalhadas por todo o sítio. Roupa, sapatos, toalhas, lençóis, um pouco de tudo o que trazia. Ganhei coragem este sábado e já está tudo mais organizado. Ainda muito vazio, apesar de tudo. É um projecto de longo prazo, decorar este quarto. Por agora tenho apenas algumas ideias, mas envolvem cores como azul, roxo e branco, muita música e posters, fotografias e as pérolas, Lady Goodman, a máquina de escrever, e Rocky Racoon, o gira-discos. Ambos a aguardar ansiosamente uma viagem para esta Terra de Duques.




segunda-feira, 2 de novembro de 2009

The office

O dia a dia de um astronomo a viver na Terra dos Duques é bastante semelhante ao que a seguir se segue:

- Acordar bem cedo, espreitar pela janela e, com uma desilusao que se renova todos os dias, reparar que esta encoberto. Se nao chover, é milagre;

- Pedalar ate a universidade ou instituto onde se trabalha, tendo em atencao que neste pais as pessoas fazem as rotundas ao contrario, nao ha passadeiras e os sinais ficam laranja antes de ficarem verdes;

- Chegar ao gabinete, tirar as 19 camadas de roupa, ficar em t-shirt e preparar-se para um longo dia de tabelas com 159890 linhas, numeros esquisitos, declinacoes e ascensoes rectas, imagens de estrelas a preto e branco, programas em C que nos fazem questionar o significado da vida e outras coisas que tais;

- Dentro das variacoes possiveis, o gabinete tera este aspecto:









- E as piadas a fisico....



- Fazer uma pausa para ver o facebook, as fotos da ultima festa do departamento, constatando que é muito mais divertido ver todos os colegas bebados do que de olhos vidrados no computador, como é usual;

- Colocar as 19 camadas de roupa de novo e ir almocar. As opcoes abarcam uma vasta gama de sandwiches, comida indiana, chinesa, e muitos e variados tipos de feijao. Com relutancia, la se escolhe o prato que tenha menos aspecto de mastigado;

- Voltar ao gabinete, nova sessao de strip-tease e mais umas horas de numeros espiclondrificos - para mais explicacoes, seguir o link http://espiclondrifico.blogspot.com/;

- Pausa para ver os mails e enviar mensagens ao resto do pessoal para o cha, uma vez que se aproxima a mitica hora: as 5 da tarde!

- Chegadas as 5 horas, juntar-se a procissao de crentes e ir entao beber cha na sala de convivio, onde mais uma vez se recorda as figuras tristes que toda a gente fez na ultima festa, relembrando com especial carinho que o Roberto foi, durante uma noite, a Roberta Jessica;

- Entretanto ja anoiteceu, sendo com tristeza que o astronomo sai do gabinete para voltar a casa, reparando que, ao longo de todo o dia, so viu a luz do Sol durante os escassos minutos em que foi de casa ate ao local de trabalho. E nem sequer viu as estrelas...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Found my way downstairs and drank a cup


Não, o título não é alusivo às minhas noites loucas em que desço as escadas e vou ali ao Eight Bells beber um copo.


E assim digo que me lembrei de ti, Côdea, para não te queixares muito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A saga da francesinha

Esta semana estive por fim a matar saudades do sol de Portugal! Embora tenha chovido... Mas esse facto foi tacticamente eliminado da minha mente. Andei feliz enquanto passeava pelo Porto, e nem chuva nem as asneiras proferidas pelos locais me estragavam o dia. Soube bem voltar a Portugal e durante essa semana, mesmo numa cidade desconhecida, senti-me em casa. Estranho, esse sentimento de saudade que nos assalta quando damos por nós numa terra de duques.

Aparte: As acrobacias que tive de fazer para escrever a palavra "nós" com o acento correcto passam por procurar no google pelo programa da SIC cujo nome tem a dita palavrinha... Este teclado ingles (imaginem um chapeuzinho acola e um acento aqui) esta a dar cabo da minha gramatica.

E continuando, sim, tive saudades de coisas que nem me passaria pela cabeca. Da calcada portuguesa, (ok isto agora vai ser esquisito sem os acentos no sitio certo), da bica (eu, a quem o cafe actua como o alcool, desinibindo-me e levando-me a entrar no mundo das piadas porcas), das pastelarias a antiga e de ouvir radio portuguesa!

Para aconchegar este aperto de coração nada melhor que aconchegar o estomago com comida, pensei eu! Assim, enganada por portuenses e outros que tais, la fui eu experimentar uma francesinha...




Ora mal sabia eu que entre duas fatias de pao cabia TANTA carne! E de tao variados feitios e sabores. Mas cedo descobri, porque a primeira dentada sente-se logo que aquele prato foi feito para fazer crescer os pelos do peito! Basicamente, come-se pao, carne, queijo, tudo regado com um molho misterioso e com um toque de pozinhos de colestrol. Obvio que nem cheguei a meio do prato... Nem eu, nem metade dos estrangeiros que comigo provaram este acepipe do Porto.

E deste modo nao me senti tao mal. De consciencia claro. Quanto ao meu estomago, e outra historia sem acentos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

The back door man

E o título não podia ser mais perfeito! Descobri hoje que este é o nome de uma canção dos Doors. E não é que eu tenho mesmo um Back Door Man? Ei-lo!

Não é bem um poster como em Lisboa, mas (muito melhor) um disco que comprei em Camden. E Camden, minha gente, é o melhor sítio do mundo para fazer compras (pelo menos de discos)! E diz isto a pessoa que detesta ir às compras. Senti-me uma Alice in Wonderland quando por lá andei a passear, pois em Camden vendem-se coisas saídas dos sonhos mais retorcidos e mirabolantes! Mas sobre esse lugar mágico falarei quando tiver provas fotográficas que ilustrem a todos um pouco do que se passa nesse mini universo twilight.



Por agora ficam imagens dos metros quadrados que todos os dias me rodeiam quando chego a este sítio a que chamo casa. A primeira imagem é, claro, a porta do quarto! Com o Jimmy de braços sempre abertos para me receber.

E aqui uma visão geral da mesa/secretária. A malinha cor-de-rosa e o disco do Elton John contrastam um pouco com a Janis e o Jim, mas dão-se todos muito bem!

E a mesa de cabeceira. Com o livro dos Beatles que comprei! Aqui os livros são tão mais baratos! Tenho de me conter para não gastar as libras que me restam em livrarias. A este, no entanto, não consegui resistir. No fim de o ler vou ter uma quantidade gigante de informação completamente inútil sobre os beatles, o que comiam, marcas de anéis que o Ringo usava, tamanho dos sapatos do Paul, a barbearia preferida do John ou o nome de solteira da avó do George!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sim, aqui há Choco Krispies!!!



E é deste modo tão sorridente que digo: lembrei-me de ti, Maria, quando...

Vi esta mega embalagem dos melhores cereais do mundo!

É verdade! Eu que andava tão preocupada com os tradicionais pequenos-almoços ingleses, encontrei a minha salvação!!! Embalagem familiar de Choco Krispies! Sou uma mulher de barriga cheia e feliz!


Porque penso em vocês todos, todos os dias. Eight days a week!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

I hope you (and I) will enjoy the show!


E é assim que começo este blog! Escrevo nele para não me sentir tão desgraçadamente sozinha nestas terras inglesas e para ocupar a minha mente durante as longas esperas por autocarros que andam do lado errado da estrada. E claro, para contar as minhas aventuras e desventuras neste sítio de duques e duquesas, príncipes e princesas, barões, marquesas, condes, viscondes, reis, damas, rainhas. Só faltam mesmo os ases a esta procissão de nobres figuras. E manilhas.


Começo com uma fotografia do pub onde estou instalada. Tem a sua piada dizer a toda a gente que vivo por cima de um pub! Embora na realidade só la tenha ido uma vez, gastar libras em Guiness e Pringles. Os meus companheiros de casa têm a generosa idade dos meus pais e são eles: Bob (escocês) e Paul (galês), dois simpáticos e verdadeiros british citizens. Não é mau de todo e repito, sinto-me um verdadeiro Sr. Underhill (esta é só para os cinéfilos ou os que gostam de Senhor dos Anéis).


Desfaço desde já o mito: não, nem todos os pubs ingleses são escuros e bafientos como achamos, com empregados gordurosos e balofos atrás do balcão a limpar copos sujos. Este tem muita luz e uma simpática moça a atender.


E finda assim esta primeira carta, mensagem, postagem, o que lhe queiram chamar. Muitas mais virão com surpresas personalizadas para quem se der ao trabalho de espreitar pela fechadura da porta desta Terra de Duques!




quinta-feira, 8 de outubro de 2009